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Ponto Aqui! Ponto Acolá!

Ponto cruz, com uns retoques de cinema e umas pinceladas de livros

Ponto Aqui! Ponto Acolá!

Ponto cruz, com uns retoques de cinema e umas pinceladas de livros

Memórias...

25
Set25

Hoje, na hora de almoço, fui ao baú das memórias. Os mais novos falavam das gomas que consumiam desmesuradamente (pessoal de vintes e trintas) e eu, nos meus cinquentas bem puxados lá tive que dizer que gomas, como as que se conhecem hoje em dia ou no tempo deles, no meu tempo não havia (e se havia ainda não tinham cá chegado ou, se tinham cá chegado, lá por casa não havia fundo de maneio para tal).

Como eram deliciosos os rebuçados Heller ou, da mesma marca, os quadradinhos coloridos (estes o mais perto das gomas de hoje em dia que possa ter existido).

E uma colher de xarope Broncodiazina, nos dias de tosse? Acho que vem daí o meu amor pelo anis!

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Era entrar na Casa dos Cafés em Algés e pedir uma fatia de marmelada... sentir o cheiro a café e pedir para moerem 250g para café de "saco" e ver a minha mãe tratar esse pó com todo o cuidado! Quem me dera ter fotos desses momentos únicos!

Mas fica esta, da janela lá de casa:

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Moita Macedo em Algés!

26
Ago25

O Palácio Anjos tem, desde sempre, boas exposições para se ver. Desta vez e até ao fim de Setembro (acaba a 28), tem a exposição "Memória, Gesto e Automatismo na Poética de Moita Macedo".

Ficam algumas das minhas favoritas do pintor poeta Moita Macedo (1930-1983), dos dois andares de exposição; não saiam sem ver o filme que é exibido no primeiro andar, já que em cerca de 13 minutos percebe-se o homem de convicções e arte (e até parece fácil criar um quadro). A última imagem é um retrato do artista feito pelo Artur Bual (1926-1999).

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Retrato de Moita Macedo (1930-1983)

por Artur Bual (1926-1999)

Vale a pena passar por lá!

Exposição no Palácio Anjos

11
Jun23

Não sendo propriamente um museu, a Galeria do Palácio Anjos em Algés tem exposições temporárias que valem a pena visitar (pena que tenha deixado de ter a colecção "permanente" que nos encantava, de Manuel de Brito.

Tem patente uma exposição de fotografia que vale a pena ver (acho eu), sobre as tribos da Amazonia, de Ricardo Stuckert.

Escolho quatro pormenores dessas fotografias, não as fotografias no seu todo, porque foram esses pormenores que me encantaram:

 

 

 

 

Até 16/07, na minha "terra"!

Livro infantil

02
Abr19
Comemora-se o dia do livro infantil.
Como não podia deixar de ser, o meu gosto pelos livros vem bem lá de trás, graças a uns pais que tinham a leitura como um dos prazeres da vida.
A Colecção Manecas fez parte de todas as visitas que a minha irmã fez ao dentista, lá por Algés (eu, mais nova, tinha que ir também porque não podia, ainda, ficar sózinha em casa). Sendo o dentista na Rua Damião de Góis (vulgo rua dos eléctricos), passar pela papelaria Cordeiro & Ramos era certinho. E o terror pelo dentista era tanto que o livro era uma tentativa de apaziguar esse sofrimento.
Este eu tenho a certeza de ter lido:

Os cafés onde se podia ler...

17
Ago18
Se, como eu, viveu a adolescência no fim dos anos setenta, princípio dos oitenta, os cafés fizeram parte integrante da  sua vida, de certeza absoluta!
Em Algés havia dois em especial, o Caravela e a Tá-Mar. O primeiro para, aos fins-de-semana, ir ver os programas de tops musicais já que em casa, o Edmundo tomava posse de um dos canais de televisão e nada o demovia, por mais que se pedisse, onde havia sempre aquele evento desportivo ou filme que estava primeiro que a música barulhenta (dizia ele) que a filha ouvia.
A Tá-Mar, às tardes de semana, quando as aulas acabavam e nada mais havia a fazer, com discussões animadas sobre os factos da vida e do momento, que hoje já estão esquecidos.
Não me lembro de alguma vez por lá me terem proibído de ler um livro ou o jornal, enquanto esperávamos por alguém ou por algum programa.
Este fim de semana, já neste século do politicamente correcto, num conhecido local de cultura lisboeta, que tem no seu jardim um café/pastelaria/gelataria, encaro com a imagem abaixo, não só nas mesas, mas escarrapachado também nos suportes de guardanapo:
Confesso que foi com algum receio que tirei do saco os livros que levava para emprestar a quem se ia connosco encontrar, não fosse decidirem fazer cumprir escrupulosamente a "proibição".

Será que só o consumo interessa na vida?
Nos cafés do século passado sempre fizémos as duas coisas: consumir e ler!

 
PN Lima


P.S. Obrigada MR pelo belo marcador!

O Pedro....

13
Abr18
Por estes dias (e desde segunda-feira, 9 de Abril) há uma canção do Sérgio Godinho que roda na minha cabeça, embora eu lhe mude os versos: No original são "porque hoje fiz um amigo, coisa mais preciosa do mundo não há" (Com um Brilhozinho nos Olhos). Os versos nestes dias, para mim, são: "porque perdi um amigo, das coisas piores do mundo que há!"


Tudo isto para falar do meu amigo Pedro Guerreiro, que fiquei a saber, no dia dos seu aniversário, ter partido (para um local melhor, esperamos todos que assim seja) do mundo terreno.

Durante anos da minha vida o périplo era feito entre Algés, onde morava e Linda-a-Velha onde estudava. Não me lembro quando começou, mas as aulas de manhã originavam tardes de lazer e depois dos deveres estudantis e filiais cumpridos, o destino invariável era a Tá-Mar ou o Caravela, sendo a primeira a nossa favorita. Longas as tardes de conversa em grupo, à volta de um café, em que um e outro se iam juntando ao grupo, chegando a ser 20 à volta de uma mesa, com uma única bica (Raro se consumia outra coisa, mas que os nossos olhos cobiçavam a montra dos bolos - com os Garibaldis à cabeça, não haja dúvida). Alguns protestos dos empregados, mas havia por lá um deles que tinha filhas no mesmo liceu e tentava apaziguar os colegas (para quem conheceu a Tá-Mar o nosso poiso era sempre na sala do meio, sendo a de um dos lados salão de chá, para os mais chiques e do outro lado a sala para os mais "radicais").
 
Támar - Foto retirada da página FB "A Gazeta de Miraflores"
 
Não consigo precisar a data em que o conheci, mas parece que esteve sempre lá, de uma geração mais velha, mas que adorava conversar com pessoas de qualquer nível etário. Com ele aprofundei descobertas de música clássica (filho do tenor Armando Guerreiro - e que orgulhoso estava por Linda-a-Velha ter dado o nome de uma rua ao seu pai) e aprendi que os actores não fazem papéis pequenos porque querem, mas também porque é necessário sustentar a família (a mãe, Maria Salomé Guerreiro, actriz, declamadora e encenadora, fazia por essa altura um papel pequeno na telenovela Vila Faia, a primeira feita em Portugal que arrastou multidões). Falava-se de tudo e de nada e mesa onde estivesse não faltava assunto. Gargalhámos com as frases do Millôr Fernandes, do livro que lia na altura ou das piadas do Juca Chaves e com ele descobri o Júlio Machado Vaz, que na altura fazia o programa "O Sexo dos Anjos" numa rádio local. A paciência que era precisa quando o vencedor da Fórmula Um não era o seu favorito 😊.
 
Na Támar, com José Viana, que a pedido do Pedro, nos deu um autógrafo.

As opções profissionais levaram-no para o sul do país e até Espanha e durante quinze anos não nos cruzámos. As redes sociais, tão amaldiçoadas, permitem-nos reencontrar bons velhos amigos e assim foi, no final de 2017, descobrindo nós que estávamos muito mais perto do que pensávamos. O encontro para o tal café foi possível já em 2018 e que bom foi abraçar um velho amigo. Até o rapaz lá de casa, que até aí só tinha ouvido falar do Pedro, achou que tinha encontrado um amigo, já que a geração e gostos eram os mesmos.

No dia do seu aniversário soube que tinha partido há já uns largos dias e pela segunda vez em todos estes larguissimos anos falei com a mãe do Pedro, que me disse  não ter dúvidas de quanto o filho era querido por todos que durante tantos anos com ele conviveram. Fazes falta amigo!

As minhas árvores...

21
Mar18
Dizem que hoje é o Dia da Árvore, mas que em Portugal não convém plantá-las agora, só lá para Novembro (info do um tal de minuto verde).
 

Eis as minhas (e não falo das que se vêm em fundo, do jardim de Algés 😊), fariam hoje 60 anos de casados (o mês de Março é, e sempre foi, cheio de comemorações familiares):

(para quem me conhece, eu sou a mais pequenita da foto 😉)