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Ponto Aqui! Ponto Acolá!

Ponto cruz, com uns retoques de cinema e umas pinceladas de livros

Ponto Aqui! Ponto Acolá!

Ponto cruz, com uns retoques de cinema e umas pinceladas de livros

Elle s'appelait Sarah - Tatiana de Rosnay

28
Nov16
Há temas das história do mundo, do passado séc XX, que me incomodam profundamente (como acredito que aconteça à maioria das pessoas). O período negro da 2ª Guerra Mundial e todo o movimento de extermínio de judeus, ciganos, homossexuais, feitos pelo regime nazi alemão é dos mais perturbantes, de tal forma que há filmes que não consegui ver na sua totalidade, como "O Pianista", de Roman Polanski, baseado em factos verídicos e tendo até o próprio cineasta vivido em criança no guetto de Varsóvia, de tão má memória.
 
Já há uns meses, a fazermos zapping, descobrimos o filme que tem por base o livro do título do post, "Elle s'Appelait Sarah", cuja edição portuguesa se intitula "A Chave de Sarah", embora o filme se chame "O seu nome era Sarah", com Kirstin Scott Thomas no elenco, de quem somos fãs e rapidamente ficámos colados ao ecrã; desta vez consegui resistir e ver o filme até ao fim. A história passa-se em dois tempos, 1942 e a actualidade.
O período de 1942 relata os factos verídicos ocorridos nesse ano em que foi montada uma operação de captura de todos os judeus existentes na grande Paris por parte das autoridades francesas a mando do Marechal Pétain, e com a posterior entrega dessas pessoas aos alemães, que os irão levar para campos de concentração. O período da actualidade trata da investigação feita por uma jornalista (Kirstin Scott Thomas, no filme), desse momento negro da história de França.
 
E se alguém duvida destes acontecimentos ainda, devia ler este e outros livros sobre o assunto ou ver alguns dos documentários que por vezes passam nos nossos canais, especialmente na "RTP 2".
"De 1942 a 1944, mais de 11.000 crianças foram deportadas de França
pelos nazis com a participação activa do governo de Vichy e assassinados
nos campos da morte por terem nascido judeus. Mais de 500 destas crianças
viviam no 3éme (bairro de Paris). Muitos deles frequentaram
as Escolas Elementares Filles et Garçons PD. de Beranger.
Não os esqueçamos nunca"

Descobri Tatiana de Rosnay num programa literário francês em que ela apresentava o seu livro "Manderley Forever", a biografia de Daphne du Maurier, uma das minhas escritoras favoritas, autora entre outros de "Rebecca" e "Pousada da Jamaica". 
 
Tatiana de Rosnay e  Mélusine Mayance (a intérprete da "Sarah" no filme)
 

Melinda e Melinda / Melinda And Melinda

24
Nov16

Já perdi o conto às vezes em que estive sentada com amigos à volta de uma mesa, na qual era contada uma história. Mais tarde ou mais cedo a mesma história voltava à baila mas já numa nova versão, talvez mais elaborada, com novos detalhes e, quem sabe, personagens.Todos nós já vivemos esta situação ao longo da vida, seja através de uma simples anedota ou através de situações bastante sérias e sabemos bem como, por vezes, diversas versões da mesma história podem ser algo simples ou algo de muito mais dramático, porque os que contam a história também têm uma versão diferente nesse território chamado "a verdade dos factos".
 
Ora é desta base que parte o filme de Woody Allen, "Melinda & Melinda", recorde-se que esta película ainda foi realizada em território americano, já que entretanto optou por viver em Inglaterra devido a esses acontecimentosda sua vida privada tão retratados pela imprensa, dando até origem a diversos livros, aliás recomenda-se vivamente a leitura de "The Unruly Life of Woody Allen" da Marion Meade... uma obra incontornável para os apreciadores docineasta, mas também para todos os cinéfilos.


Não posso cair no exagero de o considerar o melhor filme que já fez (ainda há pouco tempo passou novamente, num canal de TV, o magnífico "Hannah and Her Sisters" / "Ana e Suas Irmãs", com um fabuloso Michael Caine, sem esquecer o seu tributo à cidade das Luzes em "Meia Noite em Paris"), mas está seguramente entre os melhores,com o bónus, como dirão alguns, de o senhor já não participar como actor.
 

Parte-se assim, então, de uma conversa entre quatro amigos numa mesa de café/restaurante, em que um escreve textos/peças dramáticas e o outro textos/peças de comédia (Wallace Shawn). Analisam os quatro a possibilidade de uma mesma história poder ser um drama ou uma comédia e assim começam as duas histórias de Melinda (interpretada quer numa quer na outra por Radha Mitchell).
 
Imaginem então um jantar, no qual se pretende impressionar um dos convidados, onde cai de "pára-quedas" uma visita inesperada, Melinda. A partir daí tudo se complica em relação ao motivo do jantar (já que o objectivo era conseguir-se um papel num filme - drama, ou o financiamento para um filme - comédia), mas sobretudo no que diz respeito à vida das diversas personagens quer da comédia quer do drama.
Estabelecem-se relações. Estas findam. A teia de amores, desamores e as tragédias da vida comum estão todas aqui muito bem retratadas, será a vida um drama ou uma comédia?

Com um elenco sem estrelas de destaque na altura (o filme é de 2004), mas onde se nota a importância de alguns dos intervenientes, nomeadamente Will Ferrell que nos surpreendeu pela contenção (conhecido sobretudo do programa de humor "Saturday Night Live"), que como Hobie (a sua personagem no filme), pode ser considerado um digno sucessor de Allen e suas personagens problemáticas.
 
Aprende-se, se é que já não aconteceu a muito boa gente ao longo da vida, que a frase "Estas coisas acontecem" pode ser usada tanto no feminino como no masculino.
 
Para aqueles que não viram este "Melinda e Melinda", recomendamos a sua visão, para os outros que conhecem o filme nunca é demais revê-lo porque nele está a arte do cineasta. Woody Allen, contra ventos e marés, continua a realizar um filme por ano e embora se possa achar que a qualidade dos filmes é oscilante, temos que lhe tirar o chapéu pelo esforço e perseverança.
 
Notas:
Realizador: Woody Allen / Origem: EUA / Ano: 2004 / Duração: 99 min
Actores: Radha Mitchell, Will Ferrell, Amanda Peet

A Juventude de Jane / ;Becoming Jane

18
Nov16
O único retrato que se conhece de Jane Austen,
feito pela irmã e que se encontra na National Portrait Gallery
 
A literatura britânica sempre me fascinou, séc XIX sobretudo. Se durantea adolescência as irmãs Bronte exerceram o seu poder apelativo, com “Jane Eyre”e “O Monte dos Vendavais”, após ter visto a adaptação para televisão de“Orgulho e Preconceito”, Jane Austen passou a ser a favorita. Autora apreciadapor milhões, em todo o mundo, todas as suas obras já tiveram adaptação aocinema ou à televisão.


Tudo isto a propósito da passagem a filme da história da sua entrada na idadeadulta em “Becoming Jane”. O título em português pode assim induzir em erro,porque é efectivamente a passagem à idade adulta e não a juventude que éretratada e para a época em que a autora vivia esta mudança era muitoimportante. A sua busca incessante quer pelo amor, quer pela possibilidade dese poder expressar e viver livre numa sociedade em que a mulher tinha umafunção meramente decorativa.
 
Reza a história que foram vários os pretendentes de Miss Jane Austen. Para obem-estar familiar da época, o ideal seria um casamento em que uma fortunaestivesse envolvida, já que a família Austen tinha uma situação material muitocomplicada.


Eis que aparece o sobrinho de Lady Gresham (uma Maggie Smith imponente). Aproposta de casamento surge, mas ao mesmo tempo nasce a descoberta do amor napessoa de Mr. Tom Lefroy (James McAvoy, descoberto por muitos em “O Último Reida Escócia), amigo de um dos irmãos de Jane e parente de uma das famílias ricasda região, mas totalmente dependente de um tio rico, Juiz Langlois (o veteranoIan Richardson), que o sustenta no curso de Direito em Londres, no qual éfinalista.


Para o papel de Jane Austen foi escolhida Anne Hathaway ("O Diabo Veste Prada", "Diário de uma Princesa" e “Olho Vivo”), não estando a escolha isenta de polémica, já que mais uma vez umaamericana é escolhida para representar o papel de uma inglesa de “gema”.Veja-se a escolha de Renée Zelwegger para “O Diário de Bridget Jones”(filme/livro no qual é feita uma homenagem a Jane Austen, já que uma daspersonagens principais masculinas se chama Mark Darcy, tal e qual a personagemprincipal de “Orgulho e Preconceito” e Colin Firth foi aqui, tal como naadaptação televisiva do romance de Austen, o escolhido para dar vida aopersonagem).


Embora a proposta de casamento seja aceite, o amor fala mais alto e Jane fogecom Mr. Lefroy. Ao descobrir, durante a fuga, a realidade económica da famíliamais directa do seu apaixonado, totalmente dependentes deste e da mesada que omesmo tem, dada pelo tio juiz, Jane recua e volta a casa desiludida.
 
Talvez devido a este grande amor, nunca concretizado, Jane Austen nunca secasou. No entanto, o sucesso das suas novelas torna-a uma mulher rica e famosa.Ao contactar com uma das autoras de sucesso da sua época, Mrs. Radcliffe, ficaa saber que a vida familiar e em sociedade duma mulher autora e casada não énada fácil, já que a não aceitação pela sociedade que os rodeia se estende aosmaridos.
 
Pensarmos no que um James Ivory ou Ang Lee poderiam ter feito com estabiografia ficcionada de Jane Austen!! Julian Jarrold, o realizador, é umdaqueles cineastas oriundos da televisão que, depois desta película, decidiupassar ao grande écran aquela que é possivelmente a série mais famosa de sempreda BBC: “Brideshead Revisited”; recorde-se que foi aqui que todos descobrimos agenialidade de Jeremy Irons. Nesta visita a Jane Austen ele executa o seutrabalho bem, mas sem qualquer rasgo de génio ou com aquela subtileza que um filme de época exigia.


Alguns dos secundários são nossos conhecidos: Julie Walters, que faz a mãe deJane Austen, destacou-se em “A Educação de Rita” e "Billy Elliot", bem como sendoa mãe dos ruivos Weasley em todos os Harry Potter’s, para além de dar umagrande ajuda à “amiga” Meryl Streep em “Mamma Mia”; o pai de Jane, JamesCromwell, aparece como o dono inesquecível de “Um Porquinho Chamado Babe”  ou ainda o pai de George Bush no filme "W" de Oliver Stone.
 
“Becoming Jane” proporciona uma tarde ou serãobem passados, revelando alguns dos segredos de uma das autoras mais lidas nomundo.

Notas:

Realizador: Julian Jarrold / Origem: Inglaterra / Ano: 2007 / Duração: 120 min
Actores: 
Anne Hathaway, James McAvoy, Julie Walters, James Cromwell, Maggie Smith, Ian Richardson.

Jardin d' Aclimatation - Paris

14
Nov16
Como já tinha dito por aqui, fomos espreitar a Fundação Louis Vuitton, tendo escolhido como acesso o Jardin d'Aclimatation. 
Aproveitámos para ficar a conhecer também parte deste enorme espaço, que inclui um mini-zoo, bem como um passeio de barco por um mini-canal bem antigo, podendo ver-se diversas fotografias da época em que foi inaugurado, ou ainda diversos carrocéis para os mais pequenos se divertirem. Por aqui voltámos a encontrar os célebres espelhos, idênticos aos da antiga Feira Popular, nos quais nos sentimos mais ou menos elegantes, conforme a imagem projectada.
 
Um espaço a visitar, sem dúvida!
 
 

 

 

Museu do Desporto

10
Nov16
Já visitaram?
 
Nós aproveitámos um dos dias das férias de Setembro para passar por lá, no Palácio Foz, já que tinhamos bilhetes oferecidos na visita à exposição "Rio Abaixo Rio Acima", no Torreão Poente do Terreiro do Paço.
 
Admiramos os desportistas portugueses, que tudo fazem para honrar o nosso país e se só nos lembramos dos mais recentes, como por exemplo a medalhada de bronze nos Jogos Olímpicos deste ano, Telma Monteiro, por lá podemos ver que os nossos feitos no desporto já vêm de longe, por gente apaixonada e dedicada.
 
 
O edifício merece a visita, já que o Palácio Foz tem recantos bem bonitos, como estes:
 
 
Eu acho que vale a pena lá ir!

Rio Abaixo Rio Acima - Ontem e Hoje (Exposição Desportos Náuticos no Rio Tejo)

09
Nov16
Já não é a primeira vez que encontramos exposições interessantes no Torreão Poente do Terreiro do Paço. Desta vez visitámos a exposição "Rio Abaixo Rio Acima - Ontem e Hoje", na qual se destacavam os Desportos Náuticos no Rio Tejo e onde até pude ver como a Praia de Algés, agora interdita a banhos, foi ponto de passagem de muito boa gente que só queria aprender a nadar.
 

 

 

 
 
 
Fotos: PNLima
 

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